O nome na papelada, mas nunca na sala
O nome de Vanderlei Magalhães Natividade consta nos documentos oficiais do Instituto Conhecer Brasil (ICB) na condição de tesoureiro. Na prática, segundo sua própria defesa, ele nunca ocupou a função — nem sequer passou perto das contas da organização.
Eletricista de profissão, Vanderlei afirma que apenas cedeu seus dados pessoais para viabilizar a criação da entidade, há cerca de 12 anos. O pedido, diz ele, partiu de uma familiar: Karina da Gama, empresária que responde pela ONG e que é sua prima.
"Emprestar os dados" para ajudar a prima
A versão apresentada pelos advogados do eletricista é direta: ele teria colaborado de boa-fé, no momento da fundação do instituto, sem qualquer envolvimento posterior com a gestão financeira.
- Vanderlei não teria tido acesso a contas, extratos ou movimentações;
- Não teria participado de reuniões deliberativas ou assinado documentos financeiros;
- O cargo de tesoureiro existiria apenas no papel, como formalidade burocrática para o registro da entidade.
Procurada, a defesa sustenta que o eletricista desconhecia a dimensão que o instituto alcançaria nos anos seguintes.
Uma ONG de cifras milionárias
O Instituto Conhecer Brasil ganhou notoriedade pelos números que carrega. A organização movimentou R$ 83 milhões e mantém um contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo.
É justamente esse volume de recursos públicos que coloca a estrutura de governança da entidade sob escrutínio. Afinal, quem assina como tesoureiro de uma organização desse porte deveria, em tese, ter domínio sobre cada centavo que entra e sai.
No caso de Vanderlei, a resposta é categórica: segundo ele, nunca houve esse domínio.
O que está em jogo
O episódio levanta uma questão que vai além do nome de um único profissional: como uma entidade que administra contratos milionários com o poder público mantém em seus quadros alguém que afirma nunca ter exercido a função que formalmente ocupa?
A pergunta interessa a órgãos de controle, ao Ministério Público e, sobretudo, ao contribuinte paulistano, que financiou parte dessas operações.
Enquanto isso, os advogados de Vanderlei Magalhães Natividade insistem que seu cliente é apenas um nome numa lista — um eletricista que, há mais de uma década, disse "sim" a um pedido de família e nunca mais olhou para trás.
O que se sabe até agora
- Vanderlei Magalhães Natividade aparece oficialmente como tesoureiro do ICB;
- Ele afirma ter apenas fornecido os dados, sem exercer a função;
- A solicitação teria partido de Karina da Gama, sua prima;
- O instituto movimentou R$ 83 milhões;
- Há um contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo.
A defesa do eletricista nega qualquer participação nas decisões financeiras da ONG e afirma que ele jamais teve acesso às contas da entidade.