Queda acelerada após pico histórico
O bitcoin registrou uma desvalorização superior a 50% nos últimos quatro meses. Após atingir US$ 126.198,07 em 6 de outubro, a criptomoeda recuou para US$ 60.074 na última quinta-feira, uma baixa de 17,43% apenas naquele dia.
A retração reflete principalmente a redução de posições alavancadas compradas. De acordo com a CoinMarketCap, US$ 1,23 bilhão em liquidações de bitcoin foram executados, com 80% delas em apostas de alta, forçando vendas automáticas quando as garantias não cobriam mais as perdas.
Contexto macro e regulatório
Especialistas apontam que o movimento está ligado a fatores econômicos e políticos mais amplos. Comentários do secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, descartando qualquer resgate governamental para criptoativos enfraqueceram a confiança institucional e aceleraram vendas.
A analista Mariel Lang Saez ressalta que a correção de 50% não é exclusividade do mercado cripto, mas um reflexo de condições macroeconômicas amplificadas. Diferente de ciclos anteriores, o bitcoin hoje está integrado ao sistema financeiro tradicional por meio de ETFs e fluxos institucionais.
Influência de tarifas e política monetária
Julián Colombo, da Bitso para a América do Sul, destaca tensões regulatórias nos Estados Unidos, incluindo atrasos de bancos tradicionais e debates sobre a Clarity Act. A incerteza sobre indicadores econômicos americanos e possível intervenção no iene japonês também pesam.
Carolina Gama, da Bitget na Argentina, observa que o ativo passou a acompanhar de perto o S&P 500 e ações de tecnologia. Os três cortes de juros do Federal Reserve em 2025, de 4,25% para 3,50% e depois para 3,75%, não foram suficientes para sustentar o apetite por risco, já que o presidente Jerome Powell sinalizou cautela em 28 de janeiro.
Ciclos passados e visão de longo prazo
- 2011: queda de 93%
- 2015: queda de 84%
- 2018: queda de 83%
- 2022: queda de 76%
Esses precedentes mostram que correções profundas são comuns, seguidas de recuperações expressivas. Apesar das saídas de ETFs (mais de US$ 7 bilhões em novembro, US$ 2 bilhões em dezembro e US$ 3 bilhões em janeiro), as gestoras ainda detêm 1,27 milhão de bitcoins, apenas 5% abaixo do pico.
Empresas de capital aberto adquiriram cerca de US$ 96 bilhões em bitcoin ao longo de 2025, reforçando a base institucional. Para analistas, a atual fase representa um reajuste de mercado, não um colapso estrutural, e o ativo mantém fundamentos sólidos para investidores com horizonte de longo prazo.