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BBC · G. Rok ·

Boato sobre Nossa Senhora Aparecida vira munição na reta final entre Flávio Bolsonaro e Lula

Senador desmente rumor de projeto contra padroeira do Brasil; polêmica surgiu de comentário na GloboNews e reacende debate religioso na campanha de 2026.

Boato sobre Nossa Senhora Aparecida vira munição na reta final entre Flávio Bolsonaro e Lula

O senador Flávio Bolsonaro (PL) precisou intervir publicamente para desmentir um boato que ganhou força nas redes sociais: a alegação de que ele planejava, caso eleito, retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.

Em vídeo divulgado na noite de 24 de setembro, o candidato à Presidência classificou a informação como "grande mentira" e acusou adversários de explorarem o tema para fins eleitorais.

Como o rumor ganhou corpo

A controvérsia teve origem em um comentário da jornalista Maria Cristina Fernandes durante programa da GloboNews. Ao falar sobre o eleitorado religioso e o voto feminino, ela mencionou um suposto movimento dentro da Igreja Católica contra parcela de evangélicos. O trecho viralizou com a inclusão de que o projeto seria de autoria ou apoio de Flávio Bolsonaro.

A emissora não vinculou diretamente o senador ao projeto na transmissão original. Mesmo assim, após a repercussão, a GloboNews publicou retratação na madrugada de 25 de setembro, pedindo desculpas pelo erro.

Projeto de 2007 já arquivado

Existe de fato uma proposta legislativa antiga sobre o tema, porém sem qualquer ligação com Flávio Bolsonaro. O PL 2.623 foi apresentado em dezembro de 2007 pelo então deputado Professor Victório Galli (PMDB-MT). O texto pretendia modificar a Lei 6.802/1980, trocando a expressão "padroeira do Brasil" por "padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos".

A proposta foi rejeitada pela Comissão de Educação e Cultura da Câmara em julho de 2008 e arquivada definitivamente em 22 de agosto daquele ano. A própria Casa já havia esclarecido em 2018 que o projeto não tramitava mais.

Religião no centro da campanha

A polêmica surge em momento de acirramento do debate religioso. Bispos e arcebispos da Igreja Católica têm defendido publicamente a soberania nacional e políticas voltadas aos mais pobres, temas associados à campanha de Lula. A CNBB, por sua vez, reforçou que não indica candidatos ou partidos.

Flávio Bolsonaro também viu circular novamente uma declaração de agosto em que afirmou que, se eleito, decretaria que "o Brasil é do Senhor Jesus Cristo". Opositores interpretaram a frase como crítica indireta ao título de padroeira de Nossa Senhora Aparecida.

Divisão por religião nas pesquisas

A dez dias do primeiro turno marcado para 4 de outubro, o Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil aponta Lula com 40% e Flávio Bolsonaro com 37%. No segundo turno simulado, o senador aparece com 46% contra 45% do presidente.

Dados do Datafolha mostram diferença clara por religião: entre católicos, Lula tem 45% contra 33% de Flávio; entre evangélicos, o candidato do PL lidera com 47% ante 27% do petista.

O reconhecimento oficial de Nossa Senhora Aparecida como padroeira ocorreu em 1930, por bula do papa Pio XI. A data de 12 de outubro só se tornou feriado nacional em 1980, com a sanção da Lei 6.802 pelo presidente João Figueiredo.

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