Ferramenta oficial gera controvérsia
Um sistema de inteligência artificial mantido pelo governo americano passou a fornecer respostas que vão contra posições defendidas pelo presidente Donald Trump. O chat, hospedado no portal America.gov, estreou na terça-feira (29) e logo chamou atenção por contestar narrativas sobre a eleição de 2020, a possibilidade de um terceiro mandato e o aquecimento global.
A agência Associated Press realizou testes logo após o lançamento. Usuários nas redes sociais compartilharam prints e repetiram as perguntas, ampliando a repercussão. Horas depois, o serviço parou de responder questões políticas e, no final da tarde, ficou indisponível.
Resultado da eleição de 2020
Questionada sobre a disputa presidencial de 2020, a IA afirmou que documentos oficiais do governo federal não registram fraude generalizada capaz de mudar o resultado. Trump perdeu para Joe Biden, conforme auditorias e recontagens realizadas na época.
O presidente continua alegando, sem provas apresentadas, que houve roubo de votos. A ferramenta, no entanto, limitou-se aos dados públicos disponíveis.
Limite de mandatos
Sobre um possível terceiro mandato, o chatbot foi direto: a 22ª Emenda da Constituição americana proíbe que alguém seja eleito presidente mais de duas vezes. Como Trump venceu em 2016 e 2024, ele não poderia concorrer novamente.
O presidente já manifestou desejo de disputar em 2028 e chegou a usar bonés com essa mensagem.
Posição sobre o clima
Em relação às mudanças climáticas, a resposta citou páginas oficiais de ciência do governo: o aquecimento recente é atribuído principalmente às emissões de gases de efeito estufa geradas por atividades humanas, especialmente queima de combustíveis fósseis.
Trump costuma classificar o tema como “farsa” e tem revisto políticas ambientais.
Nome do Pentágono
Outro ponto de divergência surgiu ao perguntar sobre o prédio do Pentágono. A IA respondeu que ele abriga o Departamento de Defesa. Trump assinou ordem executiva no ano anterior permitindo também o uso do nome “Departamento de Guerra”, criticando o termo atual como excessivamente “woke”.
O episódio mostra como uma ferramenta governamental pode produzir respostas baseadas em registros oficiais, independentemente da linha política do momento.