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Eleições na Bolsa: Como Posicionar a Carteira sem Apostar Tudo em um Resultado

Especialistas recomendam alocação tática limitada, diversificação e proteção cambial para lidar com volatilidade eleitoral no Ibovespa.

Eleições na Bolsa: Como Posicionar a Carteira sem Apostar Tudo em um Resultado

Oportunidade ou armadilha no pleito

A poucos dias do primeiro turno, analistas discutem o impacto de uma vitória da oposição na Bolsa brasileira. Uma reeleição poderia gerar perdas moderadas, enquanto o cenário oposto abriria espaço para valorizações expressivas. O segredo, segundo os profissionais, está em dimensionar corretamente o risco.

Luís Stuhlberger, gestor do fundo Verde, destacou que uma vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL) poderia impulsionar o Ibovespa em até 30%. Outros gestores observam que a participação de investidores em ações locais está no menor patamar histórico, o que favoreceria movimentos rápidos de alta.

Fluxo estrangeiro e setores promissores

Entre maio e agosto, saíram da B3 R$ 38,26 bilhões em recursos estrangeiros. Parte desses capitais pode retornar caso haja expectativa de maior rigor fiscal. Max Bohm, da Nomos, sugere priorizar empresas de saneamento, energia elétrica e telecomunicações, que oferecem resiliência independentemente do vencedor.

Felipe Passero, da Jaguaretê Investimentos, compara o momento ao observado na Colômbia e na Argentina, onde fundos quantitativos amplificaram a reação do mercado.

Limites para a estratégia direcional

Anderson Moreira, da DEX, aconselha reservar no máximo 5% do patrimônio para operações táticas ligadas ao resultado eleitoral. ETFs setoriais ou o BOVA11 são indicados para quem prefere exposição ampla sem escolher ações específicas.

Em caso de vitória de Lula, a queda projetada gira entre 10% e 15%, com maior pressão sobre empresas ligadas a juros e consumo doméstico. Exportadoras como Suzano, WEG e Embraer tendem a sofrer menos.

Proteção e diversificação

Para mitigar perdas, recomenda-se manter ativos atrelados ao dólar, como ETFs de ações americanas negociados na B3. Opções de venda sobre o índice ou contratos futuros também servem de hedge, embora exijam maior conhecimento.

Passero sugere complementar a carteira com ações da Coreia do Sul, que apresentam múltiplos atrativos e baixa correlação com o Brasil.

Momento de entrada e saída

Bohm defende posicionamento imediato, sem esperar o resultado. Moreira propõe escalonar compras em etapas — antes do primeiro turno, entre os turnos e após a definição — para reduzir o impacto de um único preço de entrada.

Realizar lucros parciais em fortes altas é visto como prudente, desde que a fatia de ações não ultrapasse o limite planejado da carteira.

Riscos na renda fixa indexada

Títulos do Tesouro IPCA+ longos podem sofrer marcação a mercado negativa caso as taxas reais subam após o pleito. Especialistas alertam para assimetria desfavorável nesses papéis em ambos os cenários eleitorais.

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