O mercado de trabalho brasileiro exibe força incomum mesmo com a economia perdendo ritmo. A taxa de desocupação atingiu 5,3% no trimestre até agosto, o menor nível desde o início da série histórica do IBGE em 2012.
Números que impressionam
A população ocupada chegou a 103,5 milhões de pessoas. O rendimento médio real habitual subiu 3,7% em doze meses e alcançou R$ 3.777, elevando a massa total de rendimentos para R$ 385,6 bilhões — alta anual de 4,8%.
Divergência entre PIB e vagas
Enquanto o PIB trimestral desacelerou de 1,1% para 0,5%, as contratações continuam. Especialistas observam que a política monetária restritiva costuma afetar primeiro a atividade antes de impactar o emprego. As empresas, por enquanto, reduzem horas extras e comissões antes de demitir.
Inflação de serviços sob pressão
O setor de serviços, intensivo em mão de obra, acumula alta de 5,47% em doze meses. Esse componente é o mais resistente e reduz a margem do Banco Central para acelerar a redução da Selic, hoje em 13,75%.
Renda sobe, mas dívidas também
O endividamento das famílias chegou a 49,9% da renda em julho, com comprometimento de 28,7%. A inadimplência no crédito livre atingiu 8,0%, acompanhada de juros médios de 61,7% ao ano.
Perspectivas até 2027
Analistas projetam que o desemprego suba para 5,6% no fim de 2026 e 6,5% em 2027. O foco deve migrar gradualmente da quantidade de vagas para a produtividade da mão de obra, condição essencial para sustentar crescimento sem pressão inflacionária permanente.