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Fortuna de Trump salta US$ 2 bi em cripto e reacende alerta sobre ética presidencial

Crescimento bilionário do patrimônio de Donald Trump durante segundo mandato levanta questionamentos sobre conflitos de interesses nos EUA, em contraste com regras mais rígidas no Brasil.

Fortuna de Trump salta US$ 2 bi em cripto e reacende alerta sobre ética presidencial

Explosão patrimonial durante o mandato

A fortuna do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cresceu mais de US$ 2 bilhões (cerca de R$ 10,3 bilhões) apenas no último ano, segundo sua própria declaração financeira. O salto foi impulsionado principalmente por operações da família em criptomoedas e licenciamento de marca.

Parte desse ganho coincidiu com decisões regulatórias do governo que beneficiaram o setor de ativos digitais, gerando críticas de possíveis conflitos de interesse.

Ausência de blind trust e reações

Diferente de antecessores, Trump não transferiu seus bens para um blind trust — mecanismo que entrega a gestão a terceiros independentes sem que o titular acompanhe as decisões. Organizações como o Project on Government Oversight e a Transparência Internacional classificaram o caso como sem precedentes.

A Casa Branca rebateu as acusações, afirmando que as políticas adotadas beneficiaram todos os americanos e que os negócios são conduzidos pelos filhos do presidente.

O que permite a lei americana

Nos EUA, o presidente e o vice-presidente estão isentos da principal norma federal sobre conflitos de interesse (18 U.S.C. § 208). Isso permite manter empresas e investimentos durante o mandato, desde que sejam divulgados anualmente em relatórios públicos.

A Constituição ainda proíbe o recebimento de presentes ou benefícios de governos estrangeiros sem autorização do Congresso. O Escritório de Ética Governamental (OGE) monitora as regras, mas não pode obrigar a venda de ativos.

Regras brasileiras de prevenção

No Brasil, a Lei de Conflito de Interesses (Lei nº 12.813/2013) se aplica ao presidente da República. O texto veda o uso de informações privilegiadas, a participação em decisões que beneficiem empresas próprias ou de parentes até o terceiro grau e a realização de negócios com partes interessadas em atos do governo.

Michel Sancovski, sócio da área de Anticorrupção & Compliance do Tauil & Chequer Advogados associado ao Mayer Brown, destaca que a norma brasileira atua de forma preventiva: “busca impedir que interesses privados interfiram na atuação do agente público antes mesmo da demonstração de benefício econômico”.

Fiscalização e punições

A Comissão de Ética Pública (CEP) é responsável pela fiscalização no Brasil, exigindo declarações anuais de patrimônio e divulgação da agenda oficial. Violações podem resultar em perda do cargo, multa e proibição de contratar com o Estado por três anos.

Enquanto o Congresso americano discute uma emenda à Clarity Act para limitar lucros de parlamentares e familiares no mercado de cripto, o debate sobre limites éticos de chefes de Estado permanece em aberto em ambos os países.

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