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G1.globo.com · G. Rok ·

Nepal: famílias fazem funerais sem corpos para 'libertar as almas' após avalanche no Himalaia

Uma semana depois de a avalanche sepultar vilarejos na região do Himalaia, parentes de desaparecidos encerram as buscas e celebram ritos fúnebres simbólicos.

Nepal: famílias fazem funerais sem corpos para 'libertar as almas' após avalanche no Himalaia

Despedida sem corpos

Envoltas em dor e silêncio, famílias nepalesas reuniram-se nesta quarta-feira (2) para celebrar cerimônias fúnebres sem os corpos de seus parentes. O objetivo é simbólico e profundo: "libertar" as almas daqueles que desapareceram quando uma avalanche súbita e devastadora soterrou vilarejos inteiros na região do Himalaia, na fronteira do Nepal com o Tibete (China), há cerca de uma semana.

A busca que chegou ao fim

Durante dias, os parentes percorreram abrigos improvisados e necrotérios em busca de qualquer sinal dos desaparecidos. Diante do avanço lento das equipes de resgate e da ausência de novas respostas, muitos decidiram interromper a espera e dar início aos ritos de despedida — ainda que sem a presença dos corpos.

Para essas famílias, os funerais simbólicos representam mais do que uma cerimônia: são a forma encontrada de oferecer às vítimas um encerramento digno, permitindo que as tradições religiosas e culturais locais sigam seu curso mesmo em meio ao caos deixado pela tragédia.

Ritos para guiar as almas

As cerimônias seguem costumes profundamente enraizados na região, nos quais acredita-se que a alma precisa de um ritual adequado para encontrar seu caminho. Sem o corpo presente, os familiares adaptam a liturgia, reunindo-se em orações e oferendas que substituem o sepultamento tradicional.

Uma região sob risco constante

O episódio reforça a vulnerabilidade das comunidades que vivem nas encostas do Himalaia, onde o relevo acidentado e as condições climáticas extremas tornam avalanches e deslizamentos uma ameaça recorrente. A cada evento desse tipo, aldeias isoladas ficam expostas à força da montanha — e à difícil tarefa de reconstruir suas vidas depois que a neve baixa.

Enquanto isso, as famílias nepalesas transformam o luto em memória. Sem corpos para velar, restou a elas a certeza de que, ao menos em espírito, os desaparecidos puderam receber sua última despedida.

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