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G1 · G. Rok ·

Revelação de Zelensky na ONU acirra crise entre Kiev e Seul por prisioneiros norte-coreanos

Ucrânia transfere dois soldados da Coreia do Norte capturados na guerra; anúncio unilateral irrita Seul, que cobra desculpas por quebra de sigilo diplomático.

Revelação de Zelensky na ONU acirra crise entre Kiev e Seul por prisioneiros norte-coreanos

Discurso na ONU desencadeia protesto

Durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky revelou que dois militares norte-coreanos capturados foram enviados à Coreia do Sul. A declaração, feita sem aviso prévio, provocou reação imediata de Seul, que convocou o embaixador ucraniano para cobrar explicações.

O Ministério das Relações Exteriores sul-coreano classificou a atitude como violação de um acordo de confidencialidade e exigiu pedido formal de desculpas.

O que aconteceu com os soldados

Os dois homens foram presos em 2025 pelas forças ucranianas enquanto combatiam ao lado da Rússia na região de Kursk. Ainda na Ucrânia, manifestaram desejo de viver na Coreia do Sul e enviaram carta a uma ONG de Seul pedindo uma “vida normal”.

Um deles contou à imprensa que foi recrutado aos 17 anos para uma unidade de reconhecimento. Seul, que considera todos os coreanos seus cidadãos pela Constituição, pediu que não fossem devolvidos a Pyongyang, onde poderiam sofrer represálias.

Versões conflitantes sobre sigilo

O presidente sul-coreano Lee Jae-myung afirmou que existia um pacto para manter o caso em sigilo, tanto por segurança dos soldados quanto para evitar críticas internas na Ucrânia. Kiev negou a existência do acordo e justificou a divulgação como natural para um “país aberto”.

Seul considera a negativa um ato que prejudica a confiança mútua e já avalia medidas adicionais.

Apoio de Seul à Ucrânia

Apesar de possuir indústria de defesa avançada, a Coreia do Sul tem fornecido apenas ajuda humanitária e equipamentos não letais, além de aderir às sanções contra Moscou. Recentemente, prometeu US$ 100 milhões em apoio, mas mantém a política de não enviar armas para zonas de conflito ativo.

Próximos passos

Os dois soldados passarão por interrogatórios do Serviço Nacional de Inteligência e avaliações de segurança antes de possível integração à sociedade sul-coreana, conforme a Lei de Proteção a Desertores Norte-Coreanos. O processo pode durar até 90 dias e inclui análise de sua saúde física e mental.

Especialistas alertam que o caso mistura direito humanitário internacional com a posição sul-coreana de considerar os norte-coreanos como cidadãos, o que pode gerar novos atritos diplomáticos.

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