Plataformas sob pressão
Criminosos estão explorando o TikTok como porta de entrada para comercializar conteúdo de abuso sexual infantil. Eles publicam vídeos aparentemente inofensivos e inserem comentários com códigos que levam interessados ao Telegram, onde o material é oferecido em pacotes.
O g1 acompanhou mais de 30 perfis por semanas e constatou que a negociação acontece em conversas privadas, por meio de bots ou em miniaplicativos dentro do Telegram. Os preços começam em R$ 10, pagos via PIX ou moedas digitais como bitcoin.
Estratégias de divulgação
Os vídeos variam de clipes sem relação com o tema até conteúdos gerados por inteligência artificial. O ponto comum são os comentários cheios de códigos que redirecionam para canais ou grupos no Telegram. Em alguns casos, os próprios compradores são incentivados a compartilhar links em troca de acesso gratuito.
A maioria dos comentários monitorados estava em espanhol, mas havia muitos em português. Estimativas de localização apontam para perfis na Europa, especialmente Espanha, Portugal e Polônia.
Pagamentos e categorias
No Telegram, os vendedores oferecem amostras gratuitas antes da transação. Pacotes variam de 3 GB a 15 GB, com preços entre R$ 10 e R$ 35. Algumas ofertas chegam a US$ 25 (cerca de R$ 130) por acesso a milhares de arquivos. Categorias incluem material com violência sexual.
A Polícia Federal alerta que o uso de PIX não garante anonimato: transações deixam rastros que podem identificar compradores, e contas de laranjas costumam ser bloqueadas.
Mudanças na legislação
Desde agosto de 2026, uma nova lei sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva aumentou as penas. Produzir ou vender esse tipo de conteúdo agora pode resultar em 4 a 10 anos de reclusão. Quem adquire ou mantém o material enfrenta 3 a 6 anos. A norma também abrange conteúdos gerados por IA.
Resposta das empresas
O Telegram afirmou ter removido mais de 339 mil grupos e canais relacionados ao tema em 2026. O TikTok garante remoção rápida e banimento de contas, com 99,8% dos conteúdos violadores detectados proativamente. A Meta, dona do Instagram, disse empregar tecnologia para identificar violações, embora buscas semelhantes no Instagram não tenham retornado resultados equivalentes.
Especialistas do Instituto Alana e da SaferNet Brasil reforçam que tanto criadores quanto plataformas podem ser responsabilizados com base no ECA e na Constituição.