A vez da Shein no mercado de capitais asiático
A Shein enfim precificou sua aguardada oferta pública inicial em Hong Kong. Segundo apuração da Bloomberg junto a fontes a par do processo, a companhia captou HK$ 13,6 bilhões — o equivalente a aproximadamente US$ 1,7 bilhão — com o preço dos papéis definido próximo ao ponto médio da faixa indicativa divulgada dias antes.
A estreia coloca a varejista de moda rápida no radar dos investidores globais, mas também convida a uma comparação inevitável: como essa cifra se posiciona diante das maiores aberturas de capital já registradas no setor de varejo?
O topo absoluto ainda pertence à Alibaba
Nenhuma operação do segmento chegou perto do que a Alibaba protagonizou em setembro de 2014, na Bolsa de Nova York. A gigante chinesa do comércio eletrônico captou cerca de US$ 25 bilhões na ocasião, um recorde que não apenas lidera o ranking entre varejistas como figura entre as maiores ofertas públicas iniciais de todos os tempos, em qualquer indústria.
A escala do negócio ajudou a redefinir o apetite internacional por empresas chinesas de tecnologia e consumo, abrindo caminho para uma onda de listagens asiáticas nos anos seguintes.
Quem aparece na sequência
Outras operações ajudam a dimensionar o patamar do mercado:
- Coupang (2021) — a varejista sul-coreana levantou cerca de US$ 4,55 bilhões na Bolsa de Nova York, a maior listagem de uma empresa estrangeira nos EUA desde a própria Alibaba.
- Alibaba em Hong Kong (2019) — a oferta secundária na bolsa da cidade asiática movimentou aproximadamente US$ 11,2 bilhões.
- JD.com (2014) — rival direta da Alibaba na China, captou cerca de US$ 1,8 bilhão em sua estreia no Nasdaq.
- Pinduoduo (2018) — o fenômeno do comércio social chinês arrecadou perto de US$ 1,6 bilhão.
Onde a Shein se encaixa
Com os aproximadamente US$ 1,7 bilhão levantados, a Shein se posiciona em linha com operações de peso como JD.com e Pinduoduo, embora ainda distante dos bilhões que consagraram a Alibaba e a Coupang.
Ainda assim, o volume representa um marco relevante para uma companhia que cresceu sustentada por um modelo de produção ultrarrápido e vendas transfronteiriças, e que agora busca legitimar sua trajetória diante do mercado público.
O que observar daqui em diante
O desempenho das ações nos primeiros dias de negociação será o termômetro do apetite dos investidores. Para o setor, a operação da Shein funciona como um teste: mostra se o varejo de moda digital ainda consegue atrair capital em larga escala, mesmo em um cenário de juros elevados e escrutínio regulatório crescente sobre plataformas asiáticas.
Se a resposta vier positiva, é possível que outras empresas do segmento enxerguem em Hong Kong uma porta de entrada menos hostil do que as bolsas ocidentais.