A onda de aversão ao risco voltou a dominar o pregão desta quarta-feira (9). O dólar encerrou o dia cotado a R$ 5,1116, após avançar 0,51%, enquanto o Ibovespa — termômetro da bolsa brasileira — cedeu 0,93% e fechou aos 185.629 pontos.
Petróleo no centro das atenções
O movimento não foi por acaso. O que ditou o ritmo das mesas de operação foi mais uma rodada de valorização expressiva do petróleo, impulsionada pelo acirramento das tensões geopolíticas no cenário internacional.
Com o barril em trajetória ascendente, o mercado passou a precificar dois efeitos simultâneos:
- Pressão inflacionária global, já que o encarecimento da commodity tende a se espalhar por custos de transporte, produção e energia;
- Busca por proteção, o que tradicionalmente favorece ativos considerados seguros, como o dólar.
Câmbio e bolsa em direções opostas
No câmbio, a moeda americana encontrou terreno fértil para subir. A alta de 0,51% levou a cotação a R$ 5,1116, refletindo tanto a demanda por hedge quanto a cautela dos investidores diante de um cenário externo mais turbulento.
Já a renda variável sofreu o golpe inverso. O Ibovespa não resistiu ao clima defensivo e recuou 0,93%, encerrando a sessão aos 185.629 pontos — um sinal claro de que o apetite por risco deu lugar à seletividade.
O que observar daqui para frente
O mercado segue com os olhos grudados em dois pontos:
- A evolução das tensões que vêm sustentando a alta do petróleo;
- Os desdobramentos dessa pressão sobre as expectativas de inflação e, por consequência, sobre a política monetária.
Enquanto esse quadro não se esclarecer, a tendência é de volatilidade persistente, com o dólar encontrando espaço para se firmar e a bolsa alternando momentos de alívio e correção.